quarta-feira, 5 de maio de 2010

Tunga

Tunga - True Rouge, redes, madeira, vidro soprado, pérolas de vidro, tinta vermelha, esponjas do mar, bolas de sinuca, escovas limpa-garrafa, feltro,bolas de cristal, 1315 x 750 x 450 cm, 1997


"Quinze cruzetas duplas de madeira foram suspensas
por cabos.

De tais cruzetas, ao modo daquelas de títeres, são
suspensas miríades de redes. Como células, cada rede
contém um repertório preciso de elementos para tal
preparados: garrafas, cálices e funis de vidro soprado
desenhados em três formatos cada e que se encaixam
em uma linha comum.

Esponjas do mar em dimensões diversas, panos de feltro,
escovas de garrafa, contas de vidro, assim como
bolas de bilhar e esferas de vidro.

A disposição destes elementos em cada rede é ocasional
e aleatória pois dadas as dimensões destas, os materiais
tendem a compactar-se buscando uma forma
mínima. Em cada uma das apresentações, a disposição
das redes é variável, buscando-se uma região de
maior densidade no centro da sala e paulatina dispersão
nas periferias.

Partindo das redes como elemento discreto, uma série
de experimentos foram realizados, procurando condições
e adequações locais, tendo em vista expandir o
programa que chamamos True Rouge."

Tunga


Biografia

Antonio José de Barros Carvalho e Mello Mourão (Palmares PE 1952). Escultor, desenhista, artista performático. Mudou-se para o Rio de Janeiro onde, em 1974, concluiu o curso de arquitetura e urbanismo na Universidade Santa Úrsula. Foi colaborador da revista Malasartes e do jornal A Parte do Fogo. Na década de 1980, realizou conferências no Instituto de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Úrsula e na Universidade Candido Mendes. Recebeu o Prêmio Governo do Estado por exposição realizada no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em 1986. No ano seguinte, realizou o vídeo Nervo de Prata, feito em parceria com Arthur Omar (1948). Em 1990, recebeu o Prêmio Brasília de Artes Plásticas e, em 1991, o Prêmio Mário Pedrosa da Associação Brasileira de Críticos de Arte - ABCA pela obra Preliminares do Palíndromo Incesto. Para realizar seu trabalho, investiga áreas do conhecimento como literatura, filosofia, psicanálise, teatro, além de disciplinas das ciências exatas e biológicas.

Críticas:

"No trabalho do artista são claras as influências do barroco e do romantismo. Sua constante construção de metáforas, através da associação livre entre diversas matérias que em princípio pareciam incompossíveis (imãs, cobre, vidros, etc), em busca de novas significações, nos revelam também uma correspondência com as experiências dadaístas e surrealistas, e a importância da dimensão onírica. Cabe apontar que a obra de Tunga prolonga com rara inteligência o universo da escultura na arte contemporânea. Em toda sua obra testemunhamos uma sábia interação entre questões filosóficas (como o contínuo e o descontínuo), da topologia e da matemática, e ainda questões do corpo articuladas à luz da psicanálise. Tudo isso realizado numa poética exuberante, numa das provas mais eloqüentes de que generosidade formal e rigor conceitual podem caminhar juntos numa mesma obra." Galeria Millan

Tunga - Sem Título (da Série Vanguarda Viperina), instalação de chumbo, 11 metros lineares, 1983-97. Foto: Eduardo Eckenfels


"Tunga é muito mais que uma ponte poética entre a França e o Brasil. Marca território nos dois países. Não é por acaso que ele retira minerais translúcidos do solo brasileiro para plantá-los na França. O trabalho com essas esculturas transcende a geologia, é exercido em enormes campos magnéticos associados a cristais energéticos. (...) As esculturas de Tunga são núcleos que se juntam, sugerindo uma troca de energia entre as partes do objeto. O gosto pela arqueologia e pelas formas herméticas acentua a presença de conceitos ligados às sensações matéricas. A recorrência do conceito faz com que um trabalho leve a outro." Leonor Amarante


"Tunga pertence à geração de artistas brasileiros seguidores de Hélio Oiticica e Lygia Clark. Arquiteto por formação, imerso em literatura (de Nerval a Borges) e em referências filosóficas e científicas (arqueologia, paleontologia, zoologia, medicina), seu trabalho exibe a marca das grandes ficções do continente latino-americano. Freqüentemente lidando com o excesso - muitas de suas obras foram realizadas através do acúmulo de materiais pesados (ferro, cobre, ímã) -, ele apresenta objetos comuns que passaram por uma estranha transformação: dedais, agulhas gigantes ou pentes. Inventa um bestiário fantástico de lagartos e serpentes mutantes que parece saído diretamente de uma antologia surrealista. Jogando com as diferenças de proporções, Tunga
considera a escultura como um conjunto de formas e figuras enigmáticas cuja estranheza e proporções fabulosas intrigam o espectador e causam transtorno em sua percepção habitual de próximo e distante, dentro e fora, cheio e vazio. Seu interesse no inconsciente e, particularmente, nos processos associativos das engrenagens do sonho, bem como na figura da metáfora, o levou a construir obras de arte com ramificações e efeitos de significado múltiplos. Estes se entrelaçam com erupções do fantástico, convidando o espectador a penetrar num universo barroco onde não se pode distinguir o real do imaginário."
Paul Sztulman

Tunga, Lézart, aço, cobre e imã, 200 x1170 x 630 cm, 1989. Foto: Tibério França

Fontes:

http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/26/textos/697/

http://www.cultura.gov.br/brasil_arte_contemporanea/?page_id=182

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/biografia-tunga/tunga.php

http://www.inhotim.org.br

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